Quero dizer que não é fácil. Quando se tem um bebê você só espera que venha com saúde, e então você descobre possibilidades de limitações, mas nem quer acreditar nesta possibilidade e faz tudo quanto manda a receita e chega em um momento que as opções se limitam.

Hoje percebo o quanto pesa ser mãe, você quer trocar de lugar, quer desfazer o sofrimento. E que fácil seria se eu pudesse substituir os meus olhos pelos olhos dela e que nenhuma dificuldade visual pudesse tomar conta do seu futuro.

Chegou um dia em que tive que decidir: ou deixava seus olhos como está, quase imperceptível a falha, esteticamente bonito, mas sem função; ou buscava uma alternativa que pode dar muito errado, uma arriscada alternativa mas a única esperança de tornar funcional o que hoje se atrofia. Transplante de Córnea com possibilidade imensa de rejeição. E se houver rejeição o que hoje está imperceptível poderá tornar-se um motivo de angústia.

Mas o que fazer diante da esperança de recuperação, diante da possibilidade de luz?  Não posso carregar a culpa de não ter tentado, não posso levar comigo este peso de que existe uma pequena possibilidade, arriscada, mas possível. E se der errado? Saberei q movi céus e terra, saberei q mudei minha vida, que arrisquei e que tentei o máximo possível ascender esta luz da escuridão.

Não posso negar o medo que estremece o meu corpo, não posso dizer que estou 100% segura, só afirmo que sigo o meu coração, que me guio pela esperança e que se todo o procedimento falhar não haverá em mim culpa por não tentar.

Me pego pensando em como será em 30 anos. Ela poderá ver dos dois olhos? Só um olho será funcional?, ou nenhum dos dois? Será se a escuridão borrará o seu sorriso? Será se eu como mãe saberei indicar o caminho da felicidade e segurança? E se tudo der errado? Mas.. E se tudo der certo?

É um caminho doloroso e incerto, não me cabe possibilidades de fraquejar, então renovo as esperanças e olho o seu sorriso e vejo luz, vejo muita luz.

Vou seguir a luz da “Luah”.